leram-me

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Dia 32: Desculpas esfarrapadas

"Professora, o J. está a rir-se de mim porque eu cortei a franja..."
"Não estava nada professora...foi o R. que me contou uma piadinha!"


(Eu, já sem paciência para queixinhas...lembrem-se que é segunda!)
"R. conta lá a piadinha, que nos queremos rir todos..."


"Quer dizer (sentimento de culpa, olhos no tecto à procura de uma desculpa rápida, já que não podia olhar para a franja da colega, que o fazia rir)...não foi o R.! Fui eu que disse a mim mesmo, para a minha cabeça, lá dentro...e como era muito engraçado...eu ri-me!"




Mal de Segunda...


Arriscava três, dado o belo estado de tempo de hoje...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Dia 30: As iludências aparudem...

Cenário: Mesas completamente desarrumadas
Personagens: Turma de 4ºano
Cena: Entrada na sala

"Primeira coisa a fazer é arrumar essas mesas! Devemos manter a nossa mesa como mantemos a nossa cara: bem limpa!...Nem sei como têm as mesas neste caos...quando eu andava na escola..."

"...nem havia cadernos, não era professora?"

("Não! Não havia cadernos, mas em compensação a nossa professora deixava-nos levar o nosso dinossauro!" - foi o que me apeteceu responder!)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dia 29: Confusões (im)próprias

Aula ao 1º ano:

"Mas tu estás a gozar comigo, C.?"
- sorriso-
"Tu por acaso gozas com a tua mãe?"
"Gozo..."
"Pois, mas então olha bem para mim, porque eu não sou a tua mãe!"
- castigo ... sem sorriso -

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Dia 28: Valhe-nos o Senhor!


Turma: 3º ano
Olho para trás e vejo dois alunos a ... benzerem-se!

"Então meus anjos? Não estamos na catequese..."

Do outro lado só tive alguns risos nervosos e uma vermelhidão daquelas!
(Fiquei intrigada com esta reacção...serei eu o anti-cristo destes moços?)

Casei...e agora?

No casamento de uma amiga, este fim de semana, surgiu a conversa das mudanças que acontecem nos casais depois de assinarem o papel. Numa conversa leve e franca, sem falsos moralismos e conversinhas da treta, nós, as casadas, lá fomos chegando à conclusão que tudo muda quando um casal casa. Não é um conto de fadas nem a vida a dois é cor de rosa (é que não paro de me surpreender com notícias de divórcios, alguns deles até violentos, de casais que exultavam amor por todos os poros!)! As fachadas nunca foram o meu forte. E é normal um casal que partilha toda a sua vida, a intimidade, os tiques e manias, os bons e maus hábitos, economias nem sempre fáceis, tenha questões a discutir. Lá falamos dos homens, que adoptam uma postura mais relaxada em relação a nós, mulheres. Ficam menos afectuosos, mais machos...e depois, a ferros lá saiu a confissão de que nós também mudamos. Creio que estas mudanças são muitas vezes inconscientes...mas lá que existem, existem.
Estranhas as relações humanas. Como podem mudar, quase do dia para a noite. Como são controversas, por vezes. No decorrer da conversa, fui-me apercebendo que eu e o meu marido não somos de outro mundo, não somos os únicos a ter problemas (muitas vezes por coisa nenhuma), não somos os únicos a lidar com a insegurança. Gostei da partilha de vivências e de pontos de vista. Gostei de perceber que todos os problemas não são de facto sinónimo de perda de paixão, mas apenas uma pequena parte do crescer a dois, de formar uma nova família. Nem sempre as mudanças são bem vistas, mas são com toda a certeza necessárias para a formação e evolução de uma vida a dois. Acredito que quando chegam os filhos as mudanças fazem-se sentir novamente...e até com mais voracidade. Se pensarmos bem no assunto, porquê pensar que nada muda com o casamento, quando na realidade a mudança é atroz? Passa a ter de se partilhar tudo, não se pode sair e pensar no assunto no dia seguinte ou daí a alguns dias, não se pode virar as costas às situações menos agradáveis porque elas estão mesmo ali, no meio do que é nosso...NOSSO...não MEU...não TEU...NOSSO! Haverá algo mais maravilhoso e perturbador do que deixar de ser EU para passar a ser NÓS? 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dia 27: A menina que mordeu como um cão

Hoje (claro! afinal é segunda feira!) fui surpreendida por um ataque de fúria tamanho que me assustou! Nunca tinha presenciado uma perda absoluta do controle das emoções de alguém tão pequeno. A menina em questão estava fora de si porque a colega lhe tinha puxado a camisola! Acto que foi punido com puxões de cabelo e uma brutal mordida num braço. À minha questão do porquê de tal violência, a resposta foi no mínimo peculiar:
"A camisola é nova!" 
De facto as crianças são capazes do melhor e do pior. E a menina em questão é o exemplo vivo disso mesmo. É óptima aluna, perspicaz e imaginativa. Contudo, a sua agressividade deita tudo por terra e começa a deixar-me bastante apreensiva. Deve ser travada desde já, juntamente com a sua relutância incapacidade de se desculpar por tudo o que faz de errado. Como crescerá esta menina? Que tipo de adolescente será? Em que adulto se transformará? Confesso-me preocupada...

Jantar de domingo

Bolos!
Estou de dieta até ao próximo sábado...ou não!

Here it comes again...

Não há psicologia que resulte...ela está aqui de novo e não há nada a fazer! Já tinha dito que ODEIO segundas?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dias dispensáveis

E a quarta lá veio, mascarada de segunda...miseravelmente chuvosa, causando confusão nas cabeças não programadas para um feriado assim...quase a meio da semana! E sejamos francos...uma segunda "dos diabos" e dois dias depois outra "pseudo-segunda"...não há paciência! Quero ir prá ilha!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Dia 24: Fote tu, godo da meda!

Hoje  a história que me ficou do dia não tem nada de engraçado. Podia contar mil e uma peripécias, mas aquela que me marcou foi ver uma aluna lavada em lágrimas, sufocada, de tal forma ferida no seu íntimo, que lhe custou explicar o que se passava. Contou, entre soluços e lágrimas bem cheias, que um colega lhe tinha chamado gorda. Ofendeu-se por saber que o disse com intenção de a  ferir. Ofendeu-se por saber que alguns dos quilos que carrega a mais pesam, não só no seu pequeno corpo, como também no julgamento que fazem dela. Cortou-me o coração, devo confessar. Primeiro, porque veio de um menino mais novo, mas,  principalmente, porque não consigo ver a auto estima de uma criança ser arrastada pelo chão. Chorava de tal forma, que nem me olhava nos olhos. Via o sentimento de inferioridade invadir-lhe o pensamento e prender-lhe os actos. Respirei fundo. O aluno em questão já tinha saído. Aliás, já tinham saído todos... Cheia de fúria, e no meu tom (ALTO) disse-lhe:
Como te chamas? S. não é? Então quando te chamarem algo diferente do teu nome diz alto e bom som - "Estás confundido, caro amigo! O meu nome é S. não é isso que estás a dizer, percebeste?" - Ouviste, S? Mas ergue a cabeça. Dí-lo com confiança, filha!
Timidamente lá disse que sim e pegou nas suas coisas para sair, um pouco mais calma. 
Furiosamente, ainda balbuciei:
S! Outra coisa...os rapazes são todos uns parvinhos! E assim permanecem até muito tarde...tenta não ligar e responder-lhes à altura, sim?

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Onde estás, outono?

Com a gastrite que me visitou esta semana, só ontem pude realmente reparar que fui enganada pelo São Pedro...e de que maneira! Então o outono, pá? Foi por eu dizer que era a minha estação preferida? Ainda agora começou e já estou fartinha de chuva...e de trovoada...e do frio de rachar...e de estradas alagadas...e de casacos de fazenda...e de pés molhados...e de cabelo melado...e deste inverno precoce e furioso! 

Dia 23: Oh sorte!

"Sabes, professora, a tua sorte é que eu já trabalho mais rápido!"
"Não, D, essa é a tua sorte!"
"Olha professora, é a sorte de nós todos!"


Dia 22: És um livro aberto...mesmo sem quereres!

"Isto assim não vai correr bem! Já estou a perder a paciência com este comportamento..."
"Já não bastava ser segunda feira...o dia que a teacher mais detesta!"



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Dia 20: Modernices no recreio


Cenário: Recreio da escola (atrás de arbusto)
Personagens: Menina e Meninos
Ação: Beijar na boca à vez

"O que estais a fazer?"
"Ah...hmm...a brincar!"






(Longe vão as brincadeiras com o berlinde e o elástico e  o tempo do nojo sentido pelo sexo oposto!)

Desmotivada, q.b

Ando sem grande vontade de postar acerca da escola...e acerca do que quer que seja. Na segunda feira (CLARO!) tive um fim de dia bastante desagradável. Não um, mas dois meninos foram extremamente mal educados comigo, o que me deixou de rastos. Fiquei zangada e barafustei como nunca. Apesar de tudo, nunca me tinha acontecido tal, desde que comecei a trabalhar no ensino. Dizem que a primeira vez custa sempre...e é bem verdade! Custa sim! Custa se nos importamos com o que fazemos, com quem nos rodeamos. Entristece-me ver para onde caminhamos. É pena as crianças crescerem sem saberem o que fazer com a liberdade que lhes é dada. É uma pena ver confundir confiança com falta de respeito a partir de casa...pois o comportamento que têm com os adultos em casa, vai repetir-se com todos os outros adultos fora de casa. É desolador ter de ouvir pais na escola, lamentando-se de males menores e ninharias, por vezes até coisas entre miúdos, mas não ver estes mesmos pais na escola, desculpando-se pelo comportamento escusado e mal educado dos seus filhos. Mas é este o país que temos. É este o legado que deixamos. São estes os próximos governantes, que crescem sem respeito pelo próximo, por si mesmo, por nada nem ninguém. É neles que devemos depositar toda a esperança de um futuro melhor. Isto é só um desabafo, pois felizmente, numa sala de 22, 2 são mal educados, o que significa que a esperança reside nos 20 que têm sede de futuro e de prosperidade. Contudo,  não sei se é uma utopia, gostava de ver uma nova geração mudar o mundo...mas para isso seria preciso a minha geração mudar por completo a forma de encarar a realidade e os próprios filhos, para os poderem preparar para o tal mundo melhor...