leram-me

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dia 36: Entusiasmos de artista

(Depois de explicar a minha visão para a actuação da festa de Natal)


"Oh Teacher...você é a maior!"
(Ok...é possível que me tenha entusiasmado um bocadinho...mas eu seja cadela se não vão fazer tal qual eu disse...E BEM!)

Para descrever o que sinto hoje...surge-me apenas o adjectivo
Indignada!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Dia 35: Verdades são para serem ditas






"V. deixa-me lá ir embora! Estás aí à minha frente a olhar para mim porquê?"
"Porque tu és muito linda!"






Porque há dias em que quero acreditar que as crianças não dizem mais do que a PURA verdade... 

Dia 34: Interesses que falam mais alto

(Escrito no quadro preto, a giz de várias cores) :

"Teacher nós gostamos muito de si. É muito nossa amiga. Nós queremos pedir desculpa pelas vezes que não nos portamos bem. É que queremos comer as ginger cookies na última aula...Adoramo-la!"


Subtileza ao seu mais alto nível...digo eu!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Espelho meu, espelho meu

Quando nos amamos de forma exacerbada é um perigo. O complexo de Narciso ataca e parece que nada mais importa no mundo. Aliás, o próprio mundo gira em volta do nosso lindo e perfeito umbigo. A Lua aparece no céu para nos ver dormir, o Sol simplesmente existe para nos contemplar e iluminar...e as nossas opiniões são quase como bíblias a seguir, dogmas irrefutáveis...verdades absolutas. Somos únicos e cheios de virtudes, fazemos tudo bem e somos perfeitos! Olhamos os outros com desdém, abanamos a nossa cabeça, desaprovando atitudes reprováveis, próprias de gentinha imperfeita (tentando esquecer que também já as tivemos um dia). É maravilhoso viver no Mundo Encantado do Eu!
Sempre gostei particularmente de ditados populares e há um que se aplica e eu associo silenciosamente em muitas ocasiões. Diz assim: "Gaba-te cesta, que vais à vindima!" É essencial gostarmos de nós, termos opiniões formadas, termos amor próprio! Mas, tal como no amor ao próximo, quando cai no exagero, o sentimento é doentio e destruidor...A mim faz-me efectivamente confusão conviver com "Narcisos" e "Bruxas Más" que vão olhando ao espelho e adorando o seu reflexo, sempre alerta para que ninguém roube a sua imensa importância! Afinal, o que seria do mundo sem as suas palavras? Viveríamos todos na ignorância!

Faz lá o que tens a fazer, Segunda...

sábado, 19 de novembro de 2011

No escurinho do cinema

Ontem tive a certeza da minha antiguidade...
Não aguento estar a ver um filme e ouvir comentários típicos de adolescentes, em voz alta, na tentativa desesperada de ser engraçadinho...Se querem fazer stand up  que vão para os sítios próprios, que eu se pago bilhete para cinema é porque quero assistir a um filme...
Que saudades eu tenho do tempo da minha sala de cinema do Shopping Town, altura em que o bilhete era barato, e o "Lanterninha", senhor bem posto e de bigode, munido de uma pequena lanterna, nos conduzia ao nosso lugar e mandava calar os mais festivaleiros. Nessa altura ir ao cinema podia significar apenas 3 coisas:

VER efectivamente um filme
Fazer "marmelada ligeira" (Hmmmm)
Dormir...

Qualquer que fosse a hipótese escolhida, era levada a cabo no ESCURO e no SILÊNCIO! 
Saudades! 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Assuntos difíceis

Há temas de conversa que me deixam completamente desarmada e arrasada, para o resto do dia...hoje foi assim! Primeiro um tema que me dói especialmente e me faz carregar uma culpa que não devia existir. Depois apenas mais do mesmo, mas relativo a uma amiga. Há assuntos que simplesmente não deviam ser tocados, por não fazerem parte do mundo real...pois é demasiado fácil opinar e "aconselhar". Mas na verdade, só quem vive certas situações devia ser autorizado a falar sobre elas...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Onde estás, Rui?

Lembro-me do choque que senti quando, pela primeira vez a mãe Filomena, desesperada, apelava para que lhe devolvessem o seu filho. Lembro-me de ver a minha mãe chorar a olhar para a televisão e dizer-me "Preferia ver-te morta, do que não saber o teu paradeiro...". Lembro-me de pensar o que estaria a sentir aquele menino, longe de casa, da família, sem saber qual seria o seu destino. Lembro-me de, apenas um ano depois, ouvir sobre o rapto de outro Rui, Rui Pereira...este aqui da terra...e do mesmo desespero no olhar da mãe!
13 anos passaram. Nos olhares destas mães existe apenas um grande vazio, como se a vida tivesse ficado em suspenso, como se tivessem sido anestesiadas, anestesia essa que não tirou a dor mas as deixou sem reacção. A impotência, imprópria do papel de mãe, transborda-lhes de todos os poros e penso que será isso mesmo que as esmaga a cada dia e as vai matando, a cada segundo. Por outro lado, como se sentirão estes meninos, que se fizeram homens, longe de todos? Estarão vivos? O que terão passado durante estes penosos anos? De que terão sido vítimas? Será que baixaram os braços? Será que se resignaram à sua má sorte? Ou será que continuam com a mesma esperança que as mães e aguardam apenas o momento certo para conseguirem escapar de quem os roubou? 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Dia 33: Uma questão de sangue




"Sabe teacher, quando vejo um filme com cobras, depois de noite sonho que elas estão a dar cabo do meu pai..."


(Surpreendidíssima!) "E gostas muito do teu pai, certo, G?


"Claro...!"

Chuva, chuva, chuvinha...

Detesto estes dias tenebrosos de tempestade. Não me apetecem cores. Enfio a primeira coisa escura que encontro no armário. Dá-me vontade de comer chocolate, ainda mais do que o habitual. Arrasto-me para o trabalho e os miúdos estão insuportáveis, tal não é a energia reprimida naqueles pequenos corpos... basicamente, todos os dias chuvosos me sabem a segunda feira, o que não é nada positivo, dado o meu ódio de estimação. O.K, o sol já hibernou, mas a chuva não tem de se impingir assim desta maneira! Já sabemos quem manda, chuvinha dum raio!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Dia 32: Desculpas esfarrapadas

"Professora, o J. está a rir-se de mim porque eu cortei a franja..."
"Não estava nada professora...foi o R. que me contou uma piadinha!"


(Eu, já sem paciência para queixinhas...lembrem-se que é segunda!)
"R. conta lá a piadinha, que nos queremos rir todos..."


"Quer dizer (sentimento de culpa, olhos no tecto à procura de uma desculpa rápida, já que não podia olhar para a franja da colega, que o fazia rir)...não foi o R.! Fui eu que disse a mim mesmo, para a minha cabeça, lá dentro...e como era muito engraçado...eu ri-me!"




Mal de Segunda...


Arriscava três, dado o belo estado de tempo de hoje...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Dia 30: As iludências aparudem...

Cenário: Mesas completamente desarrumadas
Personagens: Turma de 4ºano
Cena: Entrada na sala

"Primeira coisa a fazer é arrumar essas mesas! Devemos manter a nossa mesa como mantemos a nossa cara: bem limpa!...Nem sei como têm as mesas neste caos...quando eu andava na escola..."

"...nem havia cadernos, não era professora?"

("Não! Não havia cadernos, mas em compensação a nossa professora deixava-nos levar o nosso dinossauro!" - foi o que me apeteceu responder!)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dia 29: Confusões (im)próprias

Aula ao 1º ano:

"Mas tu estás a gozar comigo, C.?"
- sorriso-
"Tu por acaso gozas com a tua mãe?"
"Gozo..."
"Pois, mas então olha bem para mim, porque eu não sou a tua mãe!"
- castigo ... sem sorriso -

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Dia 28: Valhe-nos o Senhor!


Turma: 3º ano
Olho para trás e vejo dois alunos a ... benzerem-se!

"Então meus anjos? Não estamos na catequese..."

Do outro lado só tive alguns risos nervosos e uma vermelhidão daquelas!
(Fiquei intrigada com esta reacção...serei eu o anti-cristo destes moços?)

Casei...e agora?

No casamento de uma amiga, este fim de semana, surgiu a conversa das mudanças que acontecem nos casais depois de assinarem o papel. Numa conversa leve e franca, sem falsos moralismos e conversinhas da treta, nós, as casadas, lá fomos chegando à conclusão que tudo muda quando um casal casa. Não é um conto de fadas nem a vida a dois é cor de rosa (é que não paro de me surpreender com notícias de divórcios, alguns deles até violentos, de casais que exultavam amor por todos os poros!)! As fachadas nunca foram o meu forte. E é normal um casal que partilha toda a sua vida, a intimidade, os tiques e manias, os bons e maus hábitos, economias nem sempre fáceis, tenha questões a discutir. Lá falamos dos homens, que adoptam uma postura mais relaxada em relação a nós, mulheres. Ficam menos afectuosos, mais machos...e depois, a ferros lá saiu a confissão de que nós também mudamos. Creio que estas mudanças são muitas vezes inconscientes...mas lá que existem, existem.
Estranhas as relações humanas. Como podem mudar, quase do dia para a noite. Como são controversas, por vezes. No decorrer da conversa, fui-me apercebendo que eu e o meu marido não somos de outro mundo, não somos os únicos a ter problemas (muitas vezes por coisa nenhuma), não somos os únicos a lidar com a insegurança. Gostei da partilha de vivências e de pontos de vista. Gostei de perceber que todos os problemas não são de facto sinónimo de perda de paixão, mas apenas uma pequena parte do crescer a dois, de formar uma nova família. Nem sempre as mudanças são bem vistas, mas são com toda a certeza necessárias para a formação e evolução de uma vida a dois. Acredito que quando chegam os filhos as mudanças fazem-se sentir novamente...e até com mais voracidade. Se pensarmos bem no assunto, porquê pensar que nada muda com o casamento, quando na realidade a mudança é atroz? Passa a ter de se partilhar tudo, não se pode sair e pensar no assunto no dia seguinte ou daí a alguns dias, não se pode virar as costas às situações menos agradáveis porque elas estão mesmo ali, no meio do que é nosso...NOSSO...não MEU...não TEU...NOSSO! Haverá algo mais maravilhoso e perturbador do que deixar de ser EU para passar a ser NÓS? 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dia 27: A menina que mordeu como um cão

Hoje (claro! afinal é segunda feira!) fui surpreendida por um ataque de fúria tamanho que me assustou! Nunca tinha presenciado uma perda absoluta do controle das emoções de alguém tão pequeno. A menina em questão estava fora de si porque a colega lhe tinha puxado a camisola! Acto que foi punido com puxões de cabelo e uma brutal mordida num braço. À minha questão do porquê de tal violência, a resposta foi no mínimo peculiar:
"A camisola é nova!" 
De facto as crianças são capazes do melhor e do pior. E a menina em questão é o exemplo vivo disso mesmo. É óptima aluna, perspicaz e imaginativa. Contudo, a sua agressividade deita tudo por terra e começa a deixar-me bastante apreensiva. Deve ser travada desde já, juntamente com a sua relutância incapacidade de se desculpar por tudo o que faz de errado. Como crescerá esta menina? Que tipo de adolescente será? Em que adulto se transformará? Confesso-me preocupada...

Jantar de domingo

Bolos!
Estou de dieta até ao próximo sábado...ou não!