Foram incontáveis as vezes que me pediste para te colocar e tirar o relógio do pulso, para que te dissesse as horas. O dia era demasiado longo para ti. Percebi isso logo. Quando não estamos bem, o tempo arrasta-se e prolonga-se, tornando-se um fardo difícil de carregar. E o teu já não era nada leve! No dia em que partiste, o teu relógio ficou na mesinha de cabeceira, marcando o tempo, agora vagaroso e penoso para todos nós. No dia seguinte, ao entrar no teu quarto, agora vazio, encontrei o relógio, virado para a cabeceira, tal como tu o colocavas sempre. Agarrei-o para te sentir mais perto, para tentar acreditar que não mais me pedirias para te dizer as horas, ou para te pôr o relógio no pulso, sempre no terceiro buraco! Admito que, devolvê-lo aos teus pertences me custou. Imaginei que talvez os teus filhos o quisessem. Afinal, tinham sido eles a perder o pai. Mas eu havia perdido o meu avô. Pedi-lhes agora o relógio, que me foi dado com carinho. Eu sei que objectos não passam disso mesmo. Mas este objecto, em particular, tem uma importância extrema para mim. Foi com ele que marcaste o compasso da tua vida, completamente diferente da que estavas acostumado a viver. Agora sou eu a guardiã do teu relógio. Não o vou pôr no meu pulso, pois não devemos carregar connosco tesouros. Vou antes guardá-lo numa linda caixa, mantê-lo perto, preservá-lo bem e estimá-lo para que um dia possa contar a sua história, e do seu heróico dono!
leram-me
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Tarefas extra
Como se já não bastassem todas as outras tarefas, fui premiada com mais uma. Pois é! A minha gata Marta cansou-se de amamentar os filhotes...e passou a pasta a quem, a quem? Claro! A mim! A tarefa não está a ser fácil. dar o biberão a dois gatinhos, 6 vezes por dia, não é moleza. Acredito que os pequenos prefiram as maminhas da mãe a uma tetina de borracha. Mas eu sou insistente! Não sei bem é como vai ser depois, para os dar. Se bem me conheço é meio caminho andado para choradeira da grossa na hora da separação! Oh, vida!
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Coisas de estrelas
Esta madrugada, no meu regresso do aeroporto e embrenhada no silêncio, fui contemplada com uma estrela cadente. Um segundo de magia. Um desejo óbvio. Uma espera para o ver realizado.
Silêncio ensurdecedor
Quase um mês com a casa cheia de alegria...de gargalhadas sonoras...de sorrisos rasgados...de abraços e pedidos de colinho pela manhã...de companhia para todas as refeições...de partilha de emoções...de cantorias e birras...e eis que encontro nada mais que silêncio absoluto. Logo o som do silêncio que tanto me incomoda.
A casa voltou à sua quietude a dois.
Voltamos às nossas rotinas e aos momentos de solidão adjacentes.
Volta a sobrar tempo.
As partidas são sempre difíceis e amarguradas. Sente-se a alegria do regresso a casa mas também a tristeza de quem deixamos para trás, por tempo indeterminado. Durante alguns dias será difícil acordar e não ouvir o português com pronúncia sueca que tanto amo.
Só quando mergulhamos na dureza do silêncio valorizamos a companhia para as mais pequenas insignificâncias.
Problema de expressão
Problema bastante comum em muito boas famílias...
Há dias assim, em que não vale a pena gastar saliva, em que tudo o que dizes não é ouvido convenientemente, em que pura e simplesmente mais vale estar calada...ganhas mais e chateias-te menos!
(Foi esta a lição que retirei do dia de hoje!)
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Curada...por agora!
O amor é de facto curativo. É um penso rápido com poderes especiais, que cura qualquer dor. Ela não desaparece, mas fica como que adormecida, em stand by, deixando-nos aproveitar esses momentos tão mágicos e únicos! A minha dor de costas deu-me umas tréguas, pude jantar em paz com a melhor companhia que podia desejar.
Existem efectivamente forças que não podemos explicar...o amor é uma delas!
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Terapia
Espero não estar a abusar, e não piorar ainda mais o meu estado lamentável de saúde...mas afinal, dizem que o amor cura tudo! Vou tirar isso a limpo!
Vida de professor...
A vida de um jovem professor é sempre muito complicada...que o diga eu, que acabo de submeter mais uma manifestação de preferências. Seja qual for o destino é sempre muito complicado. Há poucos lugares para demasiadas pessoas. Depois também os há com pouquíssimas horas, o que nos faz pensar duas vezes na hora de aceitar (será que vale a pena complicar a nossa vida económica por uma incerteza?). É de facto uma batalha entre o querer e o dever. Todos os anos é um recomeço, que dura apenas 10 meses. Depois o ciclo repete-se, entre centro de emprego, pedidos de subsídios e a ansiedade de saber como será o próximo ciclo. Não importa se se é um bom professor. Não importa se se veste a camisola pela escola onde lecciona. Não importa se se dá das suas horas particulares para concluir o que há para concluir, sem nunca ser remunerado por isso. Não importa se se perde horas a fio, incluindo fins de semana com preparações de aulas e correcções. Realmente esta foi a profissão que escolhi quando tinha apenas 10 anos. Foi um sonho que consegui realizar com muito esforço. Sinto-me efectivamente realizada quando estou frente a uma turma. Só que nunca pensei que a concretização de um sonho pudesse ter um sabor tão agridoce.
Rescaldos
Não há nada pior que uma recaída de uma gripe de Verão (dizem vocês, convictos!)!
Claro que há! (garanto-vos eu!)
Pior que uma recaída gripal, é a própria da recaída associada a uma terrível dor nas costas, que não fazes ideia de onde veio! E tudo isto em noite de aniversário, é dose! Bolas!
De modos que há dois dias que estou assim...inerte!
Claro que há! (garanto-vos eu!)
Pior que uma recaída gripal, é a própria da recaída associada a uma terrível dor nas costas, que não fazes ideia de onde veio! E tudo isto em noite de aniversário, é dose! Bolas!
De modos que há dois dias que estou assim...inerte!
domingo, 7 de agosto de 2011
sábado, 6 de agosto de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Surto de inspiração
Tenho mesmo de aproveitar este surto inspirativo noctívago...e escrever até que a mão me doa...ou o caderno acabe! (sim, que eu ainda escrevo à antiga...a lápis, num caderninho catita!)
Aaaiiiii....
Gripe, em pleno Verão que mais parece Outono, no começo do fim de semana e a dois dias do aniversário...NINGUÉM MERECE!
Estranha forma de sentir
O orgulho pode ser muito limitador. Trava actos que podiam ser tão bonitos, isola-nos de uma realidade, por vezes tão fácil de encarar. Impede-nos de ver o outro lado da razão, que não deixa de ter razão apenas por estar do outro lado.
When you wish upon a star
Hoje o céu não está estrelado. Logo hoje. Apesar de não passar de uma fantasia, gosto de pensar que, quando partem os que amo, se transformam nas mais brilhantes estrelas do meu céu. Que ali permanecem, como que olhando por mim, prontas para eu contemplar e matar saudades. Exupery é que tinha razão! Quando encontramos algum objecto, que sabemos não pertencer a ninguém, apoderámo-nos dele e passa a ser nosso. Não sei porque o mesmo ainda não se passou com as estrelas. Não têm dono. Não são de ninguém! Por isso, também eu posso apoderar-me das estrelas mais brilhantes do céu, tal como o homem de negócios, d' O Principezinho. Depois já podia mandar limpar a névoa à volta das minhas estrelas...ou mudar-me lá para cima. Calmo seria, de certeza! Seriam óptimos presentes, para seres especiais, que marcam a minha vida. Podia também alugá-las para contagens ensonadas, em noites de insónia. Podia desejar o que quisesse (já que todos sabemos que um desejo pedido a uma estrela corre sérios riscos de se realizar!). Acima de tudo, podia ver-te, podia ver-vos e sentir-vos perto, como se estivessem a olhar por mim de verdade!
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Um mês...
...31 dias gastos a aprender a viver, agora sem ti. Um mês estranho, ora ocupado a tratar das tuas últimas coisas, ora vazio de pensamentos e sentimentos que não sei sentir. Faz hoje um mês que a minha alma foi socada com força, que o meu coração ficou esmagado de dor ao ver-te partir. Um mês de aprendizagens. Um mês a recordar sofregamente, com medo de esquecer. Um mês de batalha contra as lágrimas. Um mês com o coração pintado de preto. Um mês sem roupa branca ou colorida para lavar. Um mês de busca pelas respostas certas. Um mês de medos infundados. Um mês de perguntas difíceis para responder. Um mês cheio de saudades. Um mês...só passou um mês e cada dia parece uma eternidade.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Não esquecer!
(Nota mental para amanhã)
(Aproveitando que é dia de feira, ainda compro baratinho!)
...senão não apanho nada barato de jeito!
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Família
Nasci no seio de uma família grande e unida.
Morreu a minha avó...ficou outra para me acarinhar!
Com a morte da minha avô, ganhei 8 irmãos-tios, que a minha mãe, enquanto filha mais velha, ajudou a criar. Para uma filha única, foi melhor que o Euromilhões!
O Natal era uma constante festa, sempre com mais de 20 pessoas a cantar e a jogar, numa altura em que um presente bastava para fazer qualquer criança feliz!
Os tios-irmãos zangaram-se. Voltei de repente a ser filha única, com a certeza que alguns seriam para sempre mais do que irmãos!
A outra avó parou de acarinhar presencialmente, por motivos religiosos levados ao extremo. Tinha avó, mas não tinha, o que me deixava triste e amargurada...mas nunca fiz nada para mudar o curso das coisas. E logo eu que tenho de dizer tudo o que não me passa na garganta! Nunca vou saber o que teria acontecido se o tivesse feito...
A avó ficou gravemente doente. Tentei recuperar o tempo perdido, mas infelizmente não me chegou.
Morreu a única avó que me restava...ficaram os dois avós.
O avô, com quem vivi praticamente desde que nasci, que sempre se rodeou dos 8 filhos, que perdeu a mulher tão cedo, que me ensinou tanto do que sei hoje, que me mostrou que o respeito pelo próximo é fundamental, adoeceu. Em dois meses envelheceu dez anos. Em dois meses a doença sugou-lhe a vida. Em dois meses, também ele morreu...ficou apenas um avô!
O avô que ficara sozinho agora, jamais voltou a ficar. Vejo-o mais agora do que antes. E ainda bem! Vou tendo tempo para lhe mostrar o quão importante é para mim, como a sua presença faz toda a diferença na minha vida!
Os irmãos-tios, voltaram a sê-lo! Parecem unidos e as zangas do passado parecem ter sido apenas o guião de uma novela da TVI, que tem sempre finais felizes. A família reúne-se mais vezes, cumprindo o desejo dos que já partiram.
Uma família está sempre em constante mudança. Talvez por ser sinónimo de vida...e vida é feita de mudança! Nem sempre as mudanças são positivas e entristece-me que só depois de perdermos alguém é que fazemos alguma coisa para mudarmos a nossa vida. A morte de alguém muito próximo pode trazer o que de melhor temos para dar...mas muitas vezes traz também o que de pior existe em nós!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
De louco todos temos um pouco...
...reza o ditado e com razão. Mas quando a loucura interfere na vida alheia, a coisa começa de facto a complicar! E "Quando não os podes vencer, junta-te a eles!" é o meu ditado de resposta. Também sei ser louca, quando me pisam os calos. Também sei ofender quando ofendem os meus. Também ganho força de mil homens para poder calar bocas doentias, que procuram inebriadamente um mote para viver. Na minha opinião, lugar de louco é no manicómio. Ninguém tem de levar com doidos, que vomitam barbaridades, de forma sonora tal, que toda uma rua pode ouvir (de janelas fechadas), desrespeitando quem já cá não está para se defender! De facto o dia de ontem foi tão, mas tão peculiar, que bem podia ser segunda em vez de domingo!
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